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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

Eu agradeço.

Dois manos conferem a radiografia de uma tíbia na pastelaria do bairro enquanto eu pondero que tipo de pessoa concede passagem a pedestres aflitos como eu Para
o carro meio de súbito quando tudo está em câmera lenta e desmunheca na horizontal consentindo preferência,
Meu pai ouve canto gregoriano enquanto lê as Noites Brancas; no sofá, minha vó põe de lado a almofada que vinha abraçando ao longo da tarde para de noitinha comer o misto-quente que minha mãe lhe trouxe: todas elas se odeiam e eu sou, meu deus, eu sou a bicha que só soube ser rude. Minha irmã faz as malas.
Uma andorinha não faz verão; uma andorinha,
uma pomba, um filhote de gato, outra pomba,
um gato adulto morto um carro fez baliza por cima:
Só os cães de rua sobrevivem aos temporais?
CAMALANDRAGEM é a arte de sobre
viver ao fogo amando somente
aquilo que antes do incêndio
já parecia cinzas se não na cor,
forma indistinta, que seja na amargura,
fato banal, uma foto não passa desse ponto,
socializar com quem lhe dispensou, revivals
sexuais e aquela carona com o ex sogro.

Um post para Raquel Parrine I

Imagem
*
No momento no qual o tenista lança magistralmente
sua bala, ele possui uma inocência totalmente animal;
no momento
no qual o filósofo surpreende uma nova verdade
é uma besta completa.
Anatole France afirmava
que o sentimento religioso
é uma função de um órgão específico do corpo humano
até hoje ignorado e que se poderia
dizer também, então,
que, no momento exato no qual tal órgão
funciona plenamente,
tão puro de malícia está o crente
que se diria se tratar quase de um vegetal.
Oh, alma! Oh, pensamento! Ó Marx! Oh, Feüerbach!

, César Vallejo (1892 - 1938).
Original aqui!