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Mostrando postagens de Maio, 2010
O que faremos quando formos (mais) velhos e acharmos que tudo que fizemos na nossa juventude poética era prosaico demais pra receber o nome de poesia? Quero dizer, e se o lirismo do cotidiano registrado em versos livres não resistir ao tempo?, não no sentido do que vai sobrar pra posteridade, mas de (ainda) nos tocar enquanto leitores de nós mesmos.
Veja o que o poeta portuga JMM fez a respeito neste belo post do blog Poeisa & Lda.:
http://poesiailimitada.blogspot.com/search/label/JOAQUIM%20MANUEL%20MAGALHÃES
Não concordo.
Francisca (nome de guerra e mal traduzido) saiu decidida àquela noite. Ao escolher a roupa, fez questão daquela que era da cor do prédio de seu cliente mais trivial: certa feita na lavanderia da esquina (traduzir não altera as locações), um moço lhe mirou de baixo acima e só pagou constrangido pelo sexo da empreitada. Aquele jogo novo de olhares sem negociações prévias, o carinho de quem não se sabia enganado, o acaso de ficar com alguém de quem ela era quase vizinha, tudo isso comoveu tanto Francisca que esta noite ela saiu quase sem rumo, decidida a não ir longe, afetada pelo ar abafado do bairro que a recebia tão bem pela primeira vez João (John?) em anos veria aquele que outra feita lhe disse que o amor, ah, o amor só era possível entre iguais. Mentiu, casou-se e se mudou para um estado onde mulheres ainda mais seminuas perturbaram João por uma soma de anos muito maior do que a amargura permite sem se alastrar de forma definitiva no coração de um homem.
O bar, irritantemente triangular, prepara uma rede…
Ao longo do anos, principalmente
depois que ela morreu, o fato
de minha vó se chamar Celeste
se tornou algo muito angustiante, é como
se eu tivesse que voltar a crer no céu católico
em homenagem a detalhes da minha infância
ou em respeito à morte dos idosos, mas
às vezes era só a sensação mesmo de que
"Celeste está enterrada" era um bonito jeito
de encerrar transcendências. Ela ainda não morreu.

, lrp. Hoje, às 14h16.