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Mostrando postagens de Abril, 2009
Aquele homem sempre perde a carteira
e começa a pensar que a perde
da forma como é possível saciar-se:
aumentando os goles até que fim,
pôs todo o salário em uma nova amarela
duas semanas após a de couro com duzentos
que por sua vez substituía uma bem velha
herdada de seu avô fazia uns vinte e tantos anos
E aquele homem riu-se de “líquido amniótico”.
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Depois da grande ideia de usar os próprios meios de mídia para amenizar o impacto do aumento de suas tarifas, o metrô teve outra genial sacada: colar cartazes de boas maneiras do lado de dentro dos vagões, ao alcance de qualquer entediado... E meus olhos brincam de Andy Warhol:

Diário de Férias

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20/04/09 - Mongaguá, SP O verde do mar é mais cor do que o cinza da areia úmida. Por isso, é nesta última que o rosa do céu reflete. Bicicletas que gemem como galinhas-da-angola. Crianças que cheiram a limão. Postes de luz que parecem termômetros eletrônicos gigantes. Pessoas com estranhas manchas no rosto. A noite que vem repintará a areia de um breu que não reflete o céu. Não sei o que será do vermelho do ocaso.

Primavera Dobrada (Bougainvillea spectabilis)

Relatório de Estágio

São quase nove horas da manhã e o sol, escondido, queima a borda de nuvens escuras perto do horizonte com aquele tipo de luminosidade que esverdeia quando observada. A certeza de uma luz excessiva não consumada dá serenidade a esta sala iluminada. Só nota as lâmpadas frias acesas quem não tem paciência para o longo espetáculo solar. Alguém sonha um sol verde.

Me esforço: as nuvens escuras sobem, se aproximam de nós, e a luz sobra em nuvens mais baixas e claras como se quisesse atrasar o dia e escorrer de volta à linha do horizonte; contudo, ponto de fuga distante e esta cidade a perder de vista impedem a repetição da aurora. Por enquanto.
alinhaves de misericórdia
encerram um animal colérico
contra aquela criança que sonha
um céu inteiriço de nuvem azul
durante tardes assim não tão amenas
de uma vida um sem-fim de promessas
que não chega a cumprir sequer percurso.
Você quer que eu leve
te devolva o peso
tão seu que me falta

claro, quer que eu devolva
em forma de luz
tudo aquilo que lhe ausenta

toda vez que o corpo assombra.