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antes de tombar o cadáver se feriu em cada algo daquele cômodo
possível contar quantos alfinetes nas gavetas até mesmo quantos pés os móveis
pelos hematomas pelas feridas
a metragem da cortina pelo roxo no pescoço
mas o que ou quem fez aquilo com seu rosto
não as escoriações
mas com o seu semblante o que imprimiu tamanho terror
ninguém sabe mas ainda está ali
este inventário está completo
mas quando o único indício é o desespero
a razão perde foco a cada lance
xadrez ao abismo
não me reconheço
na fome dos olhos

me arde o rosto
fremente

é uma palavra antiga

a separação
dos elementos

falha,
gorfo

este mundo
não me serve

presta-me um
favor já pago

tão certo como
jamais estive

nenhum heráclito
basta, nenhum

hopkins é difícil
o bastante

a serpente de
Cassandra reencarna

no cachimbo de ópio
do Pessanha e mesmo

assim mesmo isto

nada me diz,
é excessivo este óbvio

que me passa pelos olhos
sem causar memória

esta fome epilética
não será a razão a saciar.

12set15
não quero discutir Adorno
ou o uivo das raposas

você assim
de roupa
com uma mesa
entre nós

sério
como são as pessoas
só de cruzarem os
abraços

não percebe?

não me inspira
confiança.
colidir arbitrário

miasma do caos que louvamos
petulantes,

ainda temos um ao
Ainda aí?

como é bela
a serifa

restodontê

vê como sobrevive
a letra sem esses

adornos,
rebarbas?

ainda temos um ao
de que serve a memória?

Se guarda o que quer, se atormenta

de que me serve a memória,
se a vida já faz este trampo de bosta?

colidir arbitrário
esta sobra não me acalenta:
seu formato lembra algo
explodido; suas quinas,

rebarbas. O que evoca
me atormenta e o que simboliza
me escapa: outro medo.  Não se ouve

tigre morto, este é o segredo da voz:
acomete os vivos, mas o canto deste

resto, quem ouve senão minha demência?

Você, por certo, que por tédio lê, espero,
agora um pouco mais irrequieto, quem sabe.

Respondendo ao questionário que o Heringer roubou

O post original dele é este.

*

Qual é a sua paisagem favorita? A estação santo amaro, quando quase vazia (raro).
Estação do ano? Verão, quero mais que o mundo queime Comala.
Obra musical? Cartas Íntimas, do Janacek; Moss Side Story, do Barry Adamson; Press Color, da Lizzy Mercier Descloux; Bossa Negra, da Elza Soares; Sérgio Sampaio, Steely Dan, Davy Graham.
Obra em prosa brasileira? A pata da gazela, do José de Alencar; Memorial de Aires, do Machadão; Bangalô, do Mirisola.
Obra em prosa estrangeira? Confissões de uma máscara, do Mishima.
Prosa curta (brasileira)? Pouco conheço. Serve o Objecto Quase do Saramago?
Prosa curta (estrangeira)? Barthelme, Kawabata, Bellatín.
Cor favorita? Marrom.
Poeta favorito? Hopkins.
Diretor de cinema (brasileiro)? O primeiro Homem Nu.
Diretor de cinema (estrangeiro)? Nenhum.
O que move a mulher? Deveria ser o que ela quisesse.
E o homem? O pau e ou o cu, claramente.
Você gosta de crianças? Sou arrimo de família.
A cor dos cabelos de uma mulher? Incluir aquela citaçã…
sublingual
no bolso
atravessando a zona sul
atrás de um antibiótico
pra irmã

passo na volta na frente
de uma farmácia
que não consultei
puto com o preço que paguei

um idoso resmunga rente
ao meu ouvido:

- Remédios!