Ao longo do anos, principalmente
depois que ela morreu, o fato
de minha vó se chamar Celeste
se tornou algo muito angustiante, é como
se eu tivesse que voltar a crer no céu católico
em homenagem a detalhes da minha infância
ou em respeito à morte dos idosos, mas
às vezes era só a sensação mesmo de que
"Celeste está enterrada" era um bonito jeito
de encerrar transcendências. Ela ainda não morreu.

, lrp. Hoje, às 14h16.

Comentários

Bruno de Abreu disse…
curti, eu realmente curti.
é o tipo de poema PF: ultra-sincero e generoso nas porções. é bonito de ver seu amontoado espontaneamente bem distruibuido.

você é adepto de não aparar a espontaneidade?
é que você faz questão de datas, horas, minutos até.

- tenho pensado em como arrumações podem saturar o poema e as coisas todas também.
lrp disse…
Eu costumo anotar o minuto exato em que eu ponho um último ponto-final e me sinto satisfeito (nunca dura muito) pela primeira vez com o texto enquanto poema. Ou seja, rolam elucubrações e alterações antes disso; de qualquer forma, eu não "polo" (de polir, defecto) ou limo o poema, tou atrás de algo mais fluido mesmo, distenso.

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