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E ELE HÁ

O dono da lotérica que é maneta e distraído, o velho hippie que vende livros infantis, o cara bonito do mercado que usa brinco de argola, queria eu um dia ser para alguém na rua o que hoje essas pessoas são. Para mim. Que Deus queira. , lrp.
sons agradáveis para cenas vistas
o corpo não sobrevive a morte vira memória alheia e modelo de si; por que justo você, poeta, Quer explicar a cidade? A maquete está morta, alguém picha um fantasma em lençol, mendigo algum usa shorts , todo pai de família quando fica velho exibe em casa sua bunda de cadáver.

Eu agradeço.

Dois manos conferem a radiografia de uma tíbia na pastelaria do bairro enquanto eu pondero que tipo de pessoa concede passagem a pedestres aflitos como eu Para o carro meio de súbito quando tudo está em câmera lenta e desmunheca na horizontal consentindo preferência,
Meu pai ouve canto gregoriano enquanto lê as Noites Brancas; no sofá, minha vó põe de lado a almofada que vinha abraçando ao longo da tarde para de noitinha comer o misto-quente que minha mãe lhe trouxe: todas elas se odeiam e eu sou, meu deus, eu sou a bicha que só soube ser rude. Minha irmã faz as malas.
Uma andorinha não faz verão; uma andorinha, uma pomba, um filhote de gato, outra pomba, um gato adulto morto um carro fez baliza por cima: Só os cães de rua sobrevivem aos temporais?
CAMALANDRAGEM é a arte de sobre viver ao fogo amando somente aquilo que antes do incêndio já parecia cinzas se não na cor, forma indistinta, que seja na amargura, fato banal, uma foto não passa desse ponto, socializar com quem lhe dispensou, revivals sexuais e aquela carona com o ex sogro.