uma ruiva grávida entoa uma canção qualquer
não lhe sai da cabeça a canção enquanto lava as mãos
se perde no ato de lavar as mãos, os pés talvez cocem
a canção com profundidade de palma quase lhe pinica
o bom-senso, os bons modos, a corrente d'água ressurge
quase de improviso, pelo menos seu som no meio da canção
depois a consciência do tato da água contra detalhes da mão
e a canção continua entoada, cantarola, se soubesse assoviar
o faria, retira e fecha, enxuga, sem pensar, primeiro os dorsos,
os pés nunca no lavabo do térreo, um filme francês de quinta,
só depois as mãos, coçam, a memória transparente do cérebro vazio,
treina quase sem notar a disciplina. A natureza insoletrável dos vícios

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