Postagens

O que faremos quando formos (mais) velhos e acharmos que tudo que fizemos na nossa juventude poética era prosaico demais pra receber o nome de poesia? Quero dizer, e se o lirismo do cotidiano registrado em versos livres não resistir ao tempo?, não no sentido do que vai sobrar pra posteridade, mas de (ainda) nos tocar enquanto leitores de nós mesmos. Veja o que o poeta portuga JMM fez a respeito neste belo post do blog Poeisa & Lda.: http://poesiailimitada.blogspot.com/search/label/JOAQUIM%20MANUEL%20MAGALHÃES Não concordo.
Francisca (nome de guerra e mal traduzido) saiu decidida àquela noite. Ao escolher a roupa, fez questão daquela que era da cor do prédio de seu cliente mais trivial: certa feita na lavanderia da esquina (traduzir não altera as locações), um moço lhe mirou de baixo acima e só pagou constrangido pelo sexo da empreitada. Aquele jogo novo de olhares sem negociações prévias, o carinho de quem não se sabia enganado, o acaso de ficar com alguém de quem ela era quase vizinha, tudo isso comoveu tanto Francisca que esta noite ela saiu quase sem rumo, decidida a não ir longe, afetada pelo ar abafado do bairro que a recebia tão bem pela primeira vez João (John?) em anos veria aquele que outra feita lhe disse que o amor, ah, o amor só era possível entre iguais. Mentiu, casou-se e se mudou para um estado onde mulheres ainda mais seminuas perturbaram João por uma soma de anos muito maior do que a amargura permite sem se alastrar de forma definitiva no coração de um homem. O bar, irritantemente tri...
Ao longo do anos, principalmente depois que ela morreu, o fato de minha vó se chamar Celeste se tornou algo muito angustiante, é como se eu tivesse que voltar a crer no céu católico em homenagem a detalhes da minha infância ou em respeito à morte dos idosos, mas às vezes era só a sensação mesmo de que "Celeste está enterrada" era um bonito jeito de encerrar transcendências. Ela ainda não morreu. , lrp. Hoje, às 14h16.

Enquanto isso, no Rio

Imagem

dica à mãe

Se um marimbondo me picasse aquele centímetro, exatamente ali, entre o fim do dedo e o anel de 20 anos de casados, fosse réveillon , o dedo inchasse inchasse e eu tivesse que passar a virada com um alicate a gente brincando de Hefesto às avessas, eu não sei você, mas eu abandonava marido, filhos e virava lésbica. , lrp. Sampa, 22/04/10.
O que no mundo há de adorno se expande quando se abre os olhos, tudo curva, a cor enfeita o que a forma faz as coisas, tudo segunda um princípio incerto que sem domingo ainda cintila, fagulha e mais qualquer outro verbo aforado o tédio dominical -- esquecerá os riscos -- e descobrirá que o falacioso não tem queda nem se conta em ondas, o que urge impera manso -- esquecerá as necessidades -- numa falta de fundo assaz contagiante. , lrp. Sampa, o3/03/10.
Contabilizo vinganças eventuais e oportunas e digo que foram por mim. Esta chuva, por exemplo, que tão exemplarmente derrubou o cartaz de propaganga política que me atazanou a vida nas últimas semanas.